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Casos e Referências

“Os Três Porquinhos”: construindo e habitando a si mesmo

“Os Três Porquinhos”: construindo e habitando a si mesmo
Ilustração por Scott Gustafson.
14 de setembro de 2015
Este artigo faz parte da série:

Contos de fadas e o desenvolvimento emocional das crianças

Saiba mais neste novo artigo da série de contos sobre como a história dos Três Porquinhos aborda a temática da construção da personalidade e das defesas psíquicas que todos precisamos desenvolver para nos mantermos íntegros.

 

Assim como muitos dos contos passados de geração em geração, a história dos Três Porquinhos possui várias versões que podem ser interpretadas de diferentes maneiras. Em todas elas há três irmãos porquinhos que, ao sair da casa de sua mãe, buscam construir o próprio lar. O primeiro deles, o mais preguiçoso dos irmãos, opta por usar palha. O segundo, um pouco mais trabalhador, utiliza madeira. E o terceiro, empenhado em fazer seu melhor, prepara sua casa com tijolos.

Confira aqui a versão do conto feita para a série “Contos de Fadas”.

A ideia de construção no conto possivelmente está relacionada à formação da própria personalidade, que começa a acontecer a partir do momento em que o bebê percebe que é um ser diferente da mãe. O erguer das casas pode significar a organização e a estruturação da personalidade dentro do próprio corpo, ou seja, o habitar de si mesmo.

Embora possa nos parecer simples, este processo de acolher-se e perceber-se como um lar aconchegante é algo bastante complexo. Para conseguir vivenciar isto a criança passa por várias etapas, o que se assemelha simbolicamente à construção de uma casa. Ao levantar as “paredes”, delimita-se a área a ser ocupada e, escolhendo o material delas, define-se como será a proteção da parte interior. O espaço não pode ser pequeno demais para que as possibilidades não sejam limitadas, mas também não pode ser excessivamente grande para que não cause desorientação. As “paredes” precisam ser resistentes para defender tudo de precioso que se encontra guardado no espaço íntimo, mas não podem ser tão rígidas a ponto de impedir trocas entre dentro e fora. As “janelas” e “portas” podem ajudar nesse sentido, abrindo-se e fechando-se conforme a necessidade. O “chão” e o “teto” oferecem contorno e limite ao espaço.

Cada um usará seus recursos criativos e sua disposição de forma inconsciente para construir a si mesmo. Assim fizeram os porquinhos de nossa história. É então que surge um lobo faminto, interessado em comê-los. A angústia de ser incorporado por algo de fora traduz o que muitas vezes sente a criança pequena, cujos limites da personalidade ainda não são muito definidos. Para que isso não aconteça, as defesas devem ser fortes. É preciso que resistam ao sopro poderoso do lobo, ou seja, às muitas vivências internas e externas que ameaçarão a integridade psíquica.

Em algumas versões, os porquinhos com casas mais frágeis conseguem fugir e recebem acolhimento do irmão cuja morada é mais resistente. Em outras, são devorados pelo lobo e o único que consegue salvar-se é o habitante da casa de tijolos. Os desfechos apontam para dois caminhos possíveis: o primeiro, mais esperançoso, em que aqueles cujas defesas ainda não se estruturaram tão bem encontrarão apoio nos mais fortes para se reconstruírem; o segundo, mais catastrófico, em que apenas os capazes de se proteger aguentarão as pressões da vida. E você? O que pensa sobre essa história? Qual dos dois finais lhe parece fazer mais sentido? Comente e conte para nós!

Este post foi escrito com base no livro “Fadas no Divã”, de Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso.

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