Casos e Referências

Sobre avós, pais… e as crianças

Imagem retirada de Pixabay
11 . September . 2017

Que tal pensar sobre a importância e as contribuições dos avós na educação das crianças nos dias de hoje?

Em rodas de conversas entre jovens e adultos, por exemplo, é muito comum que alguém mencione um momento, uma experiência, uma lembrança ou algo aprendido com um dos avós. Essa relação tão antiga e tão poderosa segue, historicamente, se modificando à medida que as demandas sociais e familiares se transformam. Entretanto, não há como negar a importância e a singularidade dessa relação: os avós já foram pais e, agora, desse lugar privilegiado, podem representar um vínculo muito especial na vida dos netos.

Na nossa sociedade, hoje em dia, muitos avós integram o mercado de trabalho, assim como seus filhos. Do mesmo modo, há aqueles que assumem a responsabilidade de acompanhar a rotina diária dos netos para que os filhos possam trabalhar. Independente do número de horas que possam dedicar cotidianamente aos netos, muitos obstáculos podem surgir nesta relação, impedindo ou atrapalhando de forma significativa o estabelecimento desse vínculo tão único.

Por um lado, estão os pais e sua intenção de que a forma como lidam com seus filhos seja preservada pelos avós, porém, muitas vezes isso se traduz em exigências para que literalmente repliquem suas decisões. Embora seja mesmo fundamental que princípios e valores sejam compartilhados, a forma e intensidade com que isso é exigido e “cobrado” pode desvalorizar o vínculo e anular a construção dessa relação avós-netos, com sua linguagem própria. Quem de nós não guarda na memória momentos especiais com seus avós? Uma comida ou até uma guloseima só experimentada nessas situações, um desejo atendido, um espaço para brincar menos usual, um segredo só compartilhado com eles… Isso tudo também integra a formação das crianças e pode ocupar um lugar especial, inclusive, no modo como elas crescerão e se relacionarão com os outros e com o mundo.

Para pensar sobre a relação dos avós com os netos também é importante levar em conta as demandas e dificuldades da vida contemporânea: os direitos das crianças que nem sempre são considerados ou o são de forma exagerada, deixando de fora os limites e deveres; a presença constante da tecnologia mediando das mais distintas formas as relações familiares e as outras relações sociais; a rotina diária das crianças e os equilíbrios necessários dentro dela etc. E se isso tudo não fosse suficiente para causar inúmeras dúvidas nas decisões a serem tomadas pelos pais sobre a educação de seus filhos, há as divergentes opiniões de especialistas (em alguns casos, apenas “ditos” especialistas) que ocupam espaço nas mídias ou em livrarias com orientações prescritivas de como deve ser a alimentação, as conversas, as brincadeiras, de como se deve estabelecer uma relação afetiva com eles, do que os pequenos precisam aprender para a vida “futura”, para o mercado de trabalho, para que sejam felizes… Esses tantos “manuais” sobre como educar deixam pouco ou nenhum espaço para o bom senso, para a espontaneidade, para a consideração das especificidades de cada família e ainda para a interessante troca entre os pais e seus filhos, agora também pais. Afinal, ter um canal frequente de escuta e de compartilhamento entre pais e avós em muitas situações pode ser bem interessante, pois, ainda que o mundo tenha mudado, é sempre bom poder contar com quem já viveu um bocadinho a mais!

E foi, com certeza, considerando essas e algumas outras questões que o jornalista português Paulo Farinha escreveu um texto pra lá de divertido, mas que gera boas reflexões, na página da “Magazine Notícias”. Partindo de uma situação bem comum – netos que passarão alguns dias com os avós – o texto traz um “bilhete” que um dos pais escreve sobre os cuidados que a avó deverá ter. Vale mesmo a leitura e, é claro, pensar sobre como estamos favorecendo e intervindo nessa relação fundamental entre avós e netos! Acesse o texto aqui.

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