28 de agosto de 2025
No dia 25 de agosto, Beatriz Cardoso, diretora do Labedu, participou da mesa “Por que é tão difícil saber quantos são os alunos alfabetizados no País?”, durante o 9º Congresso da Jeduca, realizado em São Paulo. Ao lado de Katia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, e Ernesto Faria, diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Beatriz contribuiu com reflexões sobre os desafios pedagógicos que atravessam a compreensão dos dados de alfabetização no Brasil.
Em sua fala, Beatriz destacou a complexidade do universo pedagógico e a necessidade de maior visibilidade para os processos que ocorrem dentro das salas de aula quando se debate a avaliação educacional. “Existe um mundo inteiro ao lado da avaliação. Existe o mundo da escola, e também o mundo da pedagogia e que é muito sofisticado e complexo. A profissão do professor é uma das mais exigentes se realmente formos detalhar tudo que está em jogo numa simples situação de sala de aula”, afirmou.
Ela também chamou atenção para o papel dos jornalistas para ampliar o interesse público pela pedagogia ao incluir esse tema na cobertura das divulgações de avaliações. Dar visibilidade aos desafios pedagógicos, então, é essencial para promover avanços reais na aprendizagem. “Para a gente virar o jogo, é essencial dar visibilidade à pedagogia. As pessoas precisam se interessar, entender e querer falar sobre isso.” Segundo Beatriz, o foco das políticas públicas deve estar na regularidade das práticas docentes e na construção de caminhos que elevem o patamar de aprendizagem para todos, ao invés de dar destaque a iniciativas isoladas de bons professores.
Beatriz criticou ainda a lógica de responsabilização que recai sobre os professores diante dos resultados de avaliações como o Ideb, apontando para a ausência de espaços de discussão pedagógica e de apoio concreto às práticas docentes. “O que a gente tem visto com frequência é uma verdadeira obsessão por preparar pra prova, para melhorar o Ideb. Só se fala disso. Pouco se fala de pedagogia, dos recursos e dos mecanismos que existem para apoiar o professor, para que ele entenda os desafios e consiga traduzir isso em atividade de sala de aula.”
A mesa foi mediada pelo jornalista da Folha de S.Paulo e membro da Jeduca Paulo Saldaña e reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios de medir e garantir a alfabetização no país, destacando a importância de ampliar o debate público sobre os caminhos pedagógicos que sustentam esse processo.
Assista à mesa “Por que é tão difícil saber quantos são os alunos alfabetizados no País?”: