27 de fevereiro de 2026
Nos dias 23 e 24 de fevereiro, o Labedu participou do Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, realizado pelo MEC em Brasília. A iniciativa reuniu lideranças governamentais e organizações estratégicas da América Latina com o objetivo de fortalecer compromissos e decisões que acelerem a alfabetização com equidade na região, além de promover a cooperação internacional em torno do direito de todas as crianças à alfabetização no início do ensino fundamental.
No segundo dia do evento, Nicole Paulet, diretora executiva do Labedu, integrou o painel “Políticas de alfabetização em perspectiva: prática docente em questão”, mediado pela educadora Monica Silva, da Associação Bem Comum. Também participaram a professora da Harvard Graduate School of Education Paola Uccelli; a professora da Universidade Federal do Pernambuco Telma Leal; a pesquisadora e educadora argentina Beatriz Diuk; e o presidente da Associação Brasileira de Alfabetização, Fernando Oliveira.
Em sua fala, Nicole partiu de um desafio comum aos países latino-americanos: garantir que todas as crianças se apropriem da linguagem como ferramenta de acesso ao conhecimento e de exercício da cidadania. Ao situar a alfabetização como direito, destacou a complexidade envolvida na formulação e na implementação de políticas públicas em contextos marcados por desigualdades e por sistemas educacionais de grande escala. Nesse cenário, destacou a formação docente como eixo estratégico, articulando a aprendizagem das crianças à aprendizagem dos profissionais e do próprio sistema. Com base em evidências da literatura acadêmica, ressaltou que há uma distância entre saber e saber fazer. Por isso, explicou, a prática deve organizar as experiências formativas, preservando a complexidade do ensino e favorecendo sua efetiva implementação na sala de aula.
“Quando pensamos em processos formativos, estamos falando de proporcionar experiências práticas intencionais com rotinas e estratégias que preservem a integridade e a complexidade do ensino. Não se trata de fragmentar dimensões que depois serão difíceis de articular na sala de aula, mas de vivenciar novos modos de fazer que, a partir da troca e o estudo, podem levar a compreensões cada vez mais profundas sobre como garantir as aprendizagens esperadas. Ao se aprofundar em determinadas práticas essenciais, o professor amplia seu repertório e passa a ter ferramentas e conhecimentos para continuar aprendendo a partir da própria experiência”, avaliou a diretora executiva do Labedu.
Nicole também apresentou a concepção de formação estruturada em ciclos, que envolvem estudo, planejamento, implementação, registro e reflexão, como caminho para promover mudanças consistentes nas práticas. Nesse processo, o planejamento modelar desenvolvido pelo Labedu funciona como contexto compartilhado de experiência, permitindo que professores analisem, experimentem e aprimorem propostas com intencionalidade.
Ao dialogar com a noção de tarefas encadeadas sistematizada pela educadora e pesquisadora argentina Ana Teberosky, estabeleceu um paralelo entre a aprendizagem das crianças e o desenvolvimento profissional docente: assim como os estudantes aprendem em contextos significativos e não fragmentados, os professores também precisam de experiências formativas que integrem teoria e prática. Ao final, alertou para o risco de soluções simplificadas e da fragmentação da ação pedagógica, reafirmando a necessidade de políticas que considerem a complexidade do ensino e sustentem o desenvolvimento profissional ao longo do tempo.
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