A fundação do Laboratório de Educação será objeto de estudo em aula na Universidade de Harvard | Labedu

A fundação do Laboratório de Educação será objeto de estudo em aula na Universidade de Harvard

25 de agosto de 2022..

A trajetória do Laboratório de Educação, que em 2022 completa 10 anos de atuação, está intrinsecamente ligada à trajetória profissional de uma de suas fundadoras – e hoje Presidente –, a educadora Beatriz Cardoso, que esteve, durante 15 anos, na liderança da Comunidade Educativa – CEDAC, organização que desenvolveu programas de referência em formação docente em parceria com secretarias municipais de educação.

A decisão de deixar uma instituição consolidada para fundar uma nova, recomeçando apesar dos desafios, é tema de aula para Fellows da Universidade de Harvard, que acontece no dia 25 de agosto, com participação de Beatriz. O case baseado na experiência da fundação do Laboratório de Educação será discutido no contexto do programa Advanced Leadership Initiative (ALI), cuja turma se encontra no processo de formulação e desenvolvimento inicial de seus empreendimentos sociais. O documento, elaborado ao longo do ano em que Beatriz foi Fellow no mesmo programa, foi selecionado por ser um exemplo prático de como encarar a articulação de parcerias para desenvolver um projeto original e inovador, mobilizando recursos técnicos e financeiros antes mesmo de ter a iniciativa tirada do papel.

Beatriz participa pela segunda vez desta ação. Em setembro de 2021, esteve à frente da turma de Fellows do ciclo 2021-2022 para apresentar o Labedu. Nesta ocasião, Beatriz falou sobre o objetivo de impulsionar a educação brasileira a partir da produção de ferramentas que traduzem conhecimento de ponta sobre desenvolvimento infantil, enriquecendo as práticas cotidianas de educadores dentro e fora do sistema formal de ensino. Há 10 anos, quando foi criado o Laboratório de Educação, o conteúdo, o formato e o potencial dessas ferramentas existiam apenas na teoria, e isso acarretou entraves na arrecadação inicial de fundos. No entanto, o know-how acumulado pelas lideranças da instituição, somado à capacidade de implementar processos ágeis de pesquisa de campo para gerar materiais e estratégias piloto, sempre em uma perspectiva formativa, permitiram que alguns investidores sociais apostassem no conceito que está por trás do Labedu desde o começo. 

Neste ano, em sua participação em Harvard, Beatriz falará sobre como, embora tenha estabelecido inúmeras parcerias e viabilizado a criação de projetos e metodologias ao longo da última década, o Labedu ainda se depara com um grande desafio para superar as barreiras que estão postas no campo do financiamento. "Os fomentos, em sua maioria, financiam a execução de projetos na ponta sem valorizar os aspectos institucionais para além da implementação. Em nossa visão, não há inteligência na ponta se a instituição não conta com uma equipe técnica preparada e estável que aprenda com o campo, sistematize conteúdos e conhecimentos, faça monitoramento e tenha ferramentas para correção de rumo. A tão falada sustentabilidade significa ter um corpo técnico e condições de trabalho institucional que, por um lado, trazem estabilidade, mas por outro, garantem avanços no consistente no campo social e educacional, alcançando resultados", comenta Beatriz. 

A história do Laboratório de Educação agrega outros aspectos interessantes, como o fato de ter uma visão intergeracional, que faz parte de sua essência. Beatriz deu início a essa nova trajetória profissional no ápice de sua carreira, sendo, à época, uma mulher 50+. A instituição nasceu incluindo, em suas lideranças, mulheres que transitam por diferentes faixas etárias. E é nesta troca entre gerações que o Labedu se consolida como uma organização capaz de empurrar fronteiras. A riqueza de ter uma equipe formada por profissionais de diferentes idades – entre 20 e 60 anos –, em sua maioria mulheres, imprime no DNA da instituição uma forma colaborativa de conceber projetos, atuando em rede. O Labedu soma o olhar técnico extremamente qualificado com a capacidade de manter o público final – crianças que aprendem e adultos que educam – no centro. As diversas experiências da equipe multidisciplinar que compõe a organização agregam diferentes e complementares olhares para cada projeto e suas implementações.