8 de julho de 2026
O que é preciso para que uma rotina comum, como fazer uma receita ou contar uma história antes de dormir, se transforme em uma experiência de aprendizagem? Essa é a reflexão que orienta o novo artigo do Labedu publicado no jornal O Globo, assinado por Beatriz Cardoso, conselheira estratégica, e Nicole Paulet Piedra, diretora executiva do Labedu.
O texto parte dos dados do Estudo Internacional das Aprendizagens e do Bem-estar da Criança (IELS), conduzido pela OCDE no Ceará, no Pará e em São Paulo, para discutir o papel educador das famílias e o enfrentamento das desigualdades na primeira infância.
“O que transforma uma rotina comum em experiência de aprendizagem é a presença do adulto, a disposição de escutar o que a criança tem a dizer e um mínimo de repertório para reconhecer e potencializar o que ali acontece”, afirmam as autoras no artigo.
O estudo mostra que mais da metade das famílias brasileiras raramente lê, canta ou brinca com números com os filhos pequenos, e que essas diferenças já se manifestam aos 5 anos de idade, associadas ao nível socioeconômico e à raça das crianças. Isso não significa transferir mais responsabilidade para as famílias, já sobrecarregadas, mas entender o que torna essas oportunidades possíveis. É o que o Labedu vem fazendo na última década: acompanhamos secretarias de Educação e de Assistência Social, da zona rural no Maranhão até a periferia urbana de São Paulo, num esforço interinstitucional para fortalecer esse papel em comunidade e com o suporte de políticas públicas.
Na prática, isso se traduz em iniciativas como as 7 Experiências Fundamentais da Infância, conjunto de materiais do Labedu que apoia famílias e cuidadores a enriquecer as interações cotidianas com crianças de 0 a 6 anos. Cada experiência organiza atividades simples em torno de dimensões centrais do desenvolvimento: escutar a leitura de textos em voz alta é uma delas, e pode acontecer num livro de imagens antes do sono, numa história contada no caminho ou numa receita lida junto na cozinha.
