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Religião é assunto de criança?

18 de dezembro de 2013

Religião é um dos temas mais complicados e espinhosos de serem discutidos. Por religião entende-se um conjunto de crenças e valores que formam visões de mundo.

Na maioria das vezes, envolve espiritualidade. Muitas vezes, também envolve moral e tradições. É tão complexo que chega a ser difícil condensar o significado em uma definição curta. Se mesmo os adultos têm dificuldades de entender as questões que permeiam o tema – e muitas vezes brigam por isso- como explicar a fé e suas simbologias para os pequenos?

O blogueiro Leonardo Sakamoto se deparou com uma situação curiosa, mas pela qual a maioria das pessoas que lida com crianças deve passar mais cedo ou mais tarde.

Ele estava em um restaurante, quando “pescou” uma pergunta de filho para pai: “o senhor não acredita em Deus, né?”.

O que responder diante de tal questionamento inesperado, de modo a preservar a individualidade e a escolha da criança, fazendo-a refletir sobre as possibilidades existentes em relação ao tema? Como abordar a pluralidade religiosa quando os próprios pais têm crenças definidas? Como ensinar o respeito para com as crenças de outras pessoas, depois que a criança formar a própria?

Muitas vezes, a experiência de vida de cada um ajuda a compreender as questões religiosas e espirituais. Mas isso não impede que a criança seja ajudada a compreender o que a intriga e aprender cada vez mais sobre o mundo. Para ajudar a responder essas questões, Sakamoto consultou algumas de suas amigas, que também são mães. Entre outras, algumas das respostas foram:

“Quando meu filho me perguntou se tinha mesmo um papai do céu que tinha criado o mundo, eu falei que a vovó acreditava que sim, por isso ela ia na igreja conversar com ele. Mas que eu não tinha tanta certeza quanto a vovó. Falei também que se a gente faz as coisas direitinho, coisas boas acontecem com a gente também. Ele tinha 5 anos e isso foi o suficiente.”

“Acho que é explicando a existência de muitos deuses para essas crianças. Se as pessoas acreditam em um deus ou num panteão de deuses (e estamos falando da maioria da população) como negar a existência de tais deuses? Eles existem, estão aí. O importante é não permitir que o Estado escolha um deus hegemônico que dite as regras. Ou um grupo ver-se no direito de aniquilar cultos ou pessoas em função de suas crenças e hábitos religiosos. As crianças compreendem e respeitam a pluralidade muito melhor que os adultos, pois são capazes de fantasiar e acreditar na fantasia do outro tanto como na sua, inventam mundos a cada instante. Pensando bem, a questão é como explicar a não existência de um único Deus para os adultos, não para as crianças. E sobre isso as religiões de matriz africana tem muito a ensinar.”

“A gente nunca falou sobre Deus com o nosso filho. Ele já perguntou o que é religião: a gente disse que era uma coisa que as pessoas usavam para ficar mais tranquilas quando ficavam com medo de morrer. Ele perguntou se a gente tinha uma, a gente disse que não, mas que não era problema ele ter, se um dia quisesse. Só ia ter de escolher mais velho, não agora. E que, nem eu, nem o pai dele acreditamos em nada disso. Mas cada um escolhe seu caminho.”

Confira aqui o texto na íntegra.

E você, o que faria?

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