Educação Infantil é base para alfabetização, defende Beatriz Cardoso em evento | Labedu

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Educação Infantil é base para alfabetização, defende Beatriz Cardoso em evento

16 de agosto de 2026

O papel da Educação Infantil no processo de alfabetização foi destaque na fala de Beatriz Cardoso, Conselheira Estratégica do Labedu, durante o Metrópoles Talks “São Paulo: Educação que Transforma”. Realizado em 13 de agosto pelo Metrópoles em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o encontro reuniu representantes do poder público, lideranças empresariais e especialistas em quatro painéis dedicados aos desafios e às oportunidades para o desenvolvimento da educação na cidade.

Beatriz integrou o painel “Alfabetização na idade certa: Currículo da Cidade, recomposição de aprendizagem e os resultados da Prova São Paulo”, mediado pela jornalista Vanessa Oliveira. A mesa também contou com Lucimeire Cabral de Santana, coordenadora pedagógica da Coordenadoria Pedagógica (COPED) da Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo, e Silvia Lima, gerente de Advocacy do Instituto Ayrton Senna.

Ao ser questionada sobre o que significa uma criança estar alfabetizada na idade certa, Beatriz defendeu que o conceito de “idade certa” é, em si, reducionista. Reafirmou a importância de haver métricas e acompanhamento, sem, contudo, transformar o processo pedagógico exclusivamente em uma resposta a isso. 

Segundo ela, a alfabetização é um processo com etapas, que não se conclui em um momento específico, mas se estende como parte de uma aprendizagem contínua ao longo da vida. Para a especialista, a necessidade de acompanhar indicadores tem levado a um foco excessivo em um momento pontual, o que empobrece a compreensão do processo como um todo.

Beatriz também retomou a conexão entre a alfabetização e a Educação Infantil, destacando o papel da brincadeira com intencionalidade como forma de aprendizagem nessa etapa. “É o embrião de uma cultura, de uma sociedade. Ali a criança está processando coisas muito grandes que parecem mínimas e insignificantes”, afirmou, ao defender que não há separação entre as etapas: o que acontece na primeira infância sustenta os aprendizados posteriores.

O painel também discutiu os riscos de uma alfabetização apressada. Beatriz alertou para a tentação de antecipar o processo, iniciando-o precocemente na expectativa de resolver, de antemão, desafios que aparecem mais à frente. “Isso não atende às necessidades de desenvolvimento infantil e pode ter consequências muito sérias”, afirmou. 

Para ela, o campo vive hoje um momento de heterogeneidade nas visões sobre alfabetização: se por um lado a valorização de avaliações e indicadores é positiva, por outro corre-se o risco de reduzir o conceito ao domínio do código, quando a alfabetização de qualidade também exige inferência, pensamento metacognitivo,  domínio de diferentes suportes de leitura, entre outras competências.

Questionada sobre quais condições, além da formação inicial, fazem diferença para uma alfabetização de qualidade, Beatriz apontou a fragilidade da formação inicial de professores no Brasil como um desafio estrutural, que sobrecarrega a formação continuada com conhecimentos práticos que deveriam ser trabalhados antes. Para ela, mudar essa realidade exige investimento e tempo, dois recursos escassos nas redes de ensino. “Tempo é um dos maiores artigos de luxo que a gente tem em quase tudo nesta sociedade. Na educação não é diferente”, destacou.

Segundo a conselheira, o caminho passa pela construção de espaços coletivos de formação continuada, ancorados em mecanismos de monitoramento e discussão com base em dados, e não apenas em trocas informais de opinião entre professores. “A gente precisa criar metodologias e formas de fazer esse trabalho para que não se invente do zero a cada vez”, disse, reforçando a importância de sistematizar caminhos formativos que já mostraram resultado, em vez de repetir esforços dispersos em cada rede.

Ao encerrar sua participação, Beatriz defendeu que avançar na alfabetização exige que a sociedade compreenda a responsabilidade compartilhada entre escola, família e diferentes atores sociais. Para ela, garantir a toda criança o acesso regular à leitura desde os primeiros anos e o direito de ser ouvida pelos adultos ao seu redor já representa um passo fundamental nesse processo. O painel reforçou a importância de articular currículo, formação docente e avaliação como partes de uma mesma estratégia para garantir que todas as crianças tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever com consistência.

Assista ao painel completo:

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