30 de julho de 2026
Como garantir que a formação continuada transforme a aprendizagem das crianças? Essa pergunta orienta todo o trabalho do Labedu, e é por isso que o monitoramento é um componente estruturante dos nossos programas. Confira abaixo os destaques da implementação da formação de professores e gestores em seis municípios do Portal do Sertão, na Bahia, a partir dos dados coletados nas observações de sala de aula.
Desde o começo do ano, 306 profissionais participaram das formações, entre professores, coordenadores pedagógicos, diretores e articuladores pedagógicos, somando 45 encontros e 176 horas de trabalho conjunto.
O projeto teve início em 2025, quando os municípios de Água Fria, Antônio Cardoso, Conceição da Feira, Conceição do Jacuípe, Ipecaetá e Irará passaram por um processo de diagnóstico participativo, que orientou o desenho das estratégias iniciadas este ano. Neste ano, o percurso formativo se apoia na metodologia Aprender a Estudar Textos, que já foi implementada em diferentes contextos, desde a região metropolitana de São Paulo até o interior do Maranhão, com eficácia comprovada em pesquisas e estudos de avaliação de impacto.
Os dados de monitoramento, produzidos a partir de 86 observações de atividades de leitura em sala de aula, realizadas em 45 escolas – mais da metade das escolas mapeadas pelo projeto – mostram ações importantes de apoio à formação de leitores sendo incorporadas na prática.
Antes das formações, as intervenções que as professoras conduziam antes da leitura se restringiam em apresentar o tema do texto às crianças (50% das turmas observadas). Ao longo dos ciclos, elas ampliaram esse repertório: hoje chamam a atenção para os indícios do texto em 85% das atividades acompanhadas, propõem o levantamento de hipóteses em 88% e ouvem as colocações dos estudantes para conectá-las ao que esperam descobrir na leitura em 68%. Durante a leitura, o movimento é o mesmo. A leitura em voz alta feita pela professora, presente em metade das atividades no início, hoje acontece em todas e de forma mais qualificada: o uso intencional de gestos e entonação chega a 82%.

Por trás desses números está a experiência da professora Marli Mata, da Escola Municipal de Pindobas, em Conceição do Jacuípe. Neste mês, durante uma rodada de encontros para realizar um balanço das atividades com educadores e estudantes, ela relatou as mudanças que tem notado no próprio desenvolvimento profissional e na aprendizagem das crianças. A professora explicou que no início o desafio foi grande: o que se discutia na formação parecia distante do que poderia acontecer dentro da sala. Contudo, já no primeiro texto trabalhado, chamou sua atenção o engajamento dos estudantes, que pediram para repetir a atividade outras vezes.
A experiência também revelou o potencial da metodologia de formação do Aprender a Estudar Textos para além da disciplina de História, que é o foco da proposta. Segundo Marli, os resultados ficaram ainda mais claros num contraste. Ao realizar uma atividade com outro material e notar a dificuldade e o desinteresse dos alunos, a professora decidiu aplicar as estratégias aprendidas na formação.
“Daí foi que surgiu a ideia da gente fazer, usar esse método dos textos de História para trabalhar meio ambiente, para poder dali surgir alguma coisa interessante, porque os alunos não estavam interessados em simplesmente produzir um texto sobre o tema. Aí surgiu esse estalo da gente voltar para essas estratégias que a gente está aprendendo aqui no curso. E aí a gente viu que realmente melhorou muito.”
O semestre segue com os demais ciclos de formação e observações de sala de aula, além dos encontros de fechamento que vão reunir professores, coordenadores e diretores dos seis municípios para consolidar os aprendizados do ano. A iniciativa, que tem duração de quatro anos, conta com o apoio da Fundação Maria Emília.
