A infância ao longo do tempo #2 | Labedu
Casos e Referências

A infância ao longo do tempo #2

Detalhe do quadro “Jogos Infantis”, de Pieter Bruegel the Elder, 1560.
23 de fevereiro de 2015
Este artigo faz parte da série:

A infância ao longo do tempo

Como será que as crianças camponesas do Antigo Regime viviam? Já parou para imaginar como faziam os pais dessa época para trabalhar duro no campo e dar conta de cuidar dos filhos? Como os bebês eram amamentados nesta situação? Quais eram as expectativas em relação à educação de uma criança?

Ao longo dos séculos XVI e XVII, além da família aristocrática sobre a qual falamos aqui, também existia a família camponesa. Os camponeses eram agricultores independentes, meeiros e trabalhadores diaristas. Viviam em aldeias e vilas onde tudo era comunitário: o lazer, as comemorações, os eventos, os cultos e qualquer acontecimento significativo. O bem-estar comum estava em seguir os ritmos da natureza e as tradições, que eram pouco questionadas. A família não era exceção a esta regra. Assim, os casais eram formados segundo critérios e decisões coletivas e tudo o que ocorria dentro dos lares era de conhecimento da aldeia.

De acordo com o historiador Mark Poster, costumavam habitar numa mesma casa os cônjuges, cerca de 4 ou 5 filhos e, às vezes, um avô ou avó. Os parentes, geralmente, vivam na vizinhança. As relações com a comunidade eram de alta dependência e ocupavam grande parte do dia. Da mesma forma como nos castelos, não havia valorização da privacidade: as crianças assistiam aos atos sexuais dos pais, pois as casas eram pequenas e isso era considerado natural. Os laços afetivos dos filhos não estavam restritos aos genitores. Além das outras pessoas da aldeia,  os mortos eram parte dos vínculos infantis, sempre presentes em histórias da tradição oral coletiva.

O conhecimento era passado dos mais velhos aos mais novos e, nesse contexto, mulheres que já haviam tido a experiência da maternidade ensinavam sobre aleitamento e cuidados com a saúde da criança às mães de primeira viagem. Tomar conta dos filhos era algo compartilhado entre parentes, em especial moças solteiras e idosos, já que essa tarefa não era algo central na vida dos pais e nem tão carregada de afetos.

Havia alta taxa de mortalidade infantil, relacionada a hábitos pouco higiênicos e subalimentação. Amamentar era considerado um incômodo e uma perda de tempo. Os bebês eram enfaixados para que não se movimentassem de forma a atrapalhar o trabalho dos adultos. As crianças costumavam ficar em casa sozinhas desde a tenra idade ou eram deixadas com amas-de-leite (quando havia recursos para isso). Mães muito pobres mandavam os filhos embora para ficar livres para o trabalho, fundamental para seu sustento.

A educação ocorria principalmente entre os 7 e os 10 anos na casa de uma família que não a de origem. As crianças circulavam de forma relativamente livre pelo espaço e aprendiam a depender mais da comunidade do que dos pais. A função da transmissão de conhecimento, fiscalizada pelo coletivo, era a de manter a tradição da aldeia, sendo que a aprovação e a desaprovação eram relativas às regras comuns e à submissão hierárquica. Quando isto era descumprido, os castigos eram em sua maioria físicos.

O que você pensa sobre a situação das crianças entre as comunidades camponesas nesta época? Percebe alguma influência disto nos dias atuais? Conte para nós!

Compartilhe
TEMAS
Para poder deixar seu comentário, por favor, identifique-se abaixo.

Posts Relacionados

Outros posts que podem interessar