A infância ao longo do tempo #4 | Labedu
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A infância ao longo do tempo #4

Imagem retirada de Pixabay.
9 de março de 2015
Este artigo faz parte da série:

A infância ao longo do tempo

Já parou para pensar como eram  as crianças das famílias operárias no período da Revolução Industrial? Como será que eram tratadas pelos adultos? Onde moravam? Como era seu cotidiano? Descubra aqui!

 

Durante a Revolução Industrial, ao final do século XIX, as crianças não habitavam apenas lares burgueses. Existiam também as crianças da classe operária, nascidas em famílias originalmente camponesas que passaram a habitar os polos urbanos e trabalhar em fábricas. A influência do modo de vida burguês, a situação de pobreza e de isolamento e o desprestígio a que estavam sujeitas contribuíram para transformar o modo de vida dessas famílias.

Os adultos tinham grandes jornadas nas fábricas, podendo chegar a 17 horas seguidas de trabalho. Desta forma, não havia tempo, energia ou condições de dar atenção especial aos filhos. Além disto, as crianças também trabalhavam desde muito novas em moinhos e minas ou nas próprias fábricas, às vezes junto com os pais. A partir dos 13 ou 14 anos saíam de casa a procura de um sustento.

Ainda que a organização familiar tenha sofrido importantes mudanças, as origens comunitárias do campesinato ainda traziam ligeira influência na maneira de criar os filhos, mesmo sem a manutenção das tradições. As relações de dependência entre as famílias eram frequentemente retomadas e os pequenos eram criados de modo informal nesse ambiente, sem grande atenção dos pais e recebendo poucos cuidados de vizinhos e parentes. Também acontecia de serem deixadas sozinhas em casa, quando nenhum adulto podia estar com eles, ou de vagarem pelas ruas.

As moradias possuíam, em sua maioria, apenas um cômodo sem janelas nem água corrente e eram compartilhadas por até 8 pessoas, incluindo hóspedes que ajudavam a pagar o aluguel.  Ratos, baratas e piolhos eram alguns dos habitantes do lar. O lixo era jogado a céu aberto e não havia fossas.

Em meio a este contexto, dar atenção às crianças era um enorme e desagradável dispêndio de energia e de tempo. A amamentação era um fardo para as mães, que não tinham como se alimentar bem e estavam constantemente exaustas e preocupadas com a própria sobrevivência. A sujeira das casas e das ruas contribuía para que não houvesse grande preocupação com a higiene. Não havia tempo nem preparo para educar e instruir as crianças. O que elas aprendiam vinha da sua experiência nas ruas e da disciplina exigida nas fábricas, necessária à produção.

A partir do movimento sindical, foram conquistados alguns direitos mínimos para assegurar uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores. Novas formas de controle social também surgiram, com o intuito de reduzir a violência proveniente da grande desigualdade nas cidades. Por conta dessa transformação, as famílias de classe operária foram se aproximando cada vez mais do modo de vida das famílias burguesas. Isso resultou em uma maior preocupação em relação ao futuro das crianças e, consequentemente, com sua formação.

E você? Acha que a forma como vemos a infância hoje tem alguma influência da maneira como a criança era percebida pelo operariado na Revolução Industrial? Deixe seu comentário e aguarde a continuação dessa série de posts!

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