28 de setembro de 2026
A educação infantil deve garantir às crianças oportunidades de desenvolver a linguagem como ferramenta para pensar e aprender ao longo da vida, muito além do processo de alfabetização. A afirmação é de Nicole Paulet, diretora executiva do Labedu, durante encontro promovido pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes) da USP, em parceria com o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade.
O encontro, mediado por Camila Martins, integra o ciclo de debates sobre alfabetização promovido pelo Lepes, e reuniu também Renata Frauendorf, do Instituto Avisa Lá, e Márcia Bernardes, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. O tema retoma o debate aberto em agosto, quando Beatriz Cardoso, conselheira estratégica do Labedu, argumentou que alfabetizar é inserir a criança na cultura escrita e no mundo do conhecimento.
Nicole retomou essa discussão conceitual e propôs pensar a alfabetização a partir de uma visão que considera a inter-relação entre oralidade, leitura e escrita. Vista desse modo, o processo é iniciado na educação infantil e aprofundado ao longo da escolaridade, não ficando restrita ao primeiro e segundo ano. Para a diretora, entender a alfabetização apenas como decodificação reduz o horizonte da política pública. “Como fazer com que o mínimo não se torne o teto do que se ambiciona construir para a trajetória educacional das crianças?”, questionou.
Para explicar como a linguagem se desenvolve, apresentou a distinção entre input e output linguístico: o que a criança escuta e processa a partir das interações de que participa, e o que ela produz ao falar e escrever. Essas duas dimensões, segundo ela, se retroalimentam continuamente. “Para que as crianças desenvolvam a linguagem é necessário que participem de situações significativas de uso da linguagem planejadas intencionalmente, como brincadeiras, cantigas, leituras e conversas. As crianças que não tem acesso a isso fora da escola, por estarem em contextos vulneráveis, precisam ter esse direito garantido dentro dela”, afirmou.
Ao final de sua fala, Nicole apresentou a perspectiva do Labedu sobre o monitoramento como parte de uma estrutura mais ampla, imbricado na formação continuada e nos planejamentos modelares, que juntos sustentam a implementação em escala justamente para assegurar o direito de todas as crianças. Segundo a diretora, essa combinação permite que quem forma também acompanhe como as práticas chegam às escolas e como se desenvolvem em diferentes territórios. “Um monitoramento que tem uma perspectiva formativa, como as práticas estão chegando e o que a gente pode fazer com isso”, descreveu, referindo-se à experiência do Labedu no Maranhão.
Assista à apresentação completa:
