O conto de “Cinderela” e as bases do desenvolvimento afetivo | Labedu
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O conto de “Cinderela” e as bases do desenvolvimento afetivo

"Cinderela" por Anna Brahms.
19 de outubro de 2015
Este artigo faz parte da série:

Contos de fadas e o desenvolvimento emocional das crianças

“Cinderela” é uma narrativa rica em símbolos e que pode trabalhar muitas facetas da experiência humana. Descubra aqui de que maneira este conto contribui para a elaboração das primeiras vivências afetivas da criança!

 

A história de Cinderela foi contada de formas diferentes na cultura ocidental. As versões alemã, italiana e francesa do conto são as mais conhecidas. Aqui nos debruçaremos sobre alguns aspectos da variante francesa, escrita por Charles Perrault e posteriormente adaptada pelos estúdios Disney. Dentre as múltiplas interpretações que se pode atribuir a esse conto, elegemos algumas delas para compartilhar.

A narrativa se inicia quando o pai de Cinderela, um homem rico que perdeu a esposa, casa-se novamente. Sua nova companheira é uma mulher má que já possui duas filhas, ambas egoístas e mimadas. Quando o pai de Cinderela falece, a madrasta faz a garota de criada da casa, maltratando-a e impedindo que ela tenha as mesmas oportunidades que as irmãs postiças.

Confira aqui a versão do conto feita para a série “Contos de Fadas”.

Assim como no conto de Branca de Neve, a madrasta malvada da história pode representar a maneira como a criança pequena compreende os afetos. A mãe, ao invés de ser percebida como um só ser com qualidades e defeitos, é sentida ora como alguém que provoca raiva, inveja e que nem sempre atende aos desejos infantis e ora como ser bondoso, acolhedor e amável.

Por sua vez, as irmãs postiças – de forma semelhante ao que acontece com a madrasta – podem simbolizar a parte egoísta e cruel da personalidade infantil, em oposição à parte virtuosa, representada pela heroína Cinderela. Esta dicotomia auxilia na compreensão dos afetos separadamente, enquanto não é possível integrá-los de maneira mais complexa.

A imagem materna positiva – que se contrapõe à madrasta – aparece na história no personagem da fada madrinha. A amorosa criatura auxilia Cinderela nos momentos de dificuldade e dá a ela condições para que possa participar do baile onde conhecerá seu príncipe. Dito de outra forma, a fada oferece os recursos necessários à menina para que ela se desenvolva afetiva e socialmente.

Assim como Cinderela, qualquer criança precisa de uma base fundamental de afeto para ser capaz de se relacionar. O sentimento interno de confiança no outro e de disposição para estabelecer ligações afetivas provém das primeiras experiências amorosas com os cuidadores, mais especificamente com aquele que cumprem a função materna. Também são estas vivências que darão subsídios para que a criança sinta-se fortalecida para lidar com situações difíceis a partir de meios próprios. Na narrativa, a fada pode representar inclusive a possibilidade de acessar estes recursos.

Pensando desta forma, o final feliz da história, em que o príncipe consegue encontrar Cinderela por meio do sapatinho de cristal, só acontece em virtude da disposição interna saudável da garota. O “pé” pode ser pensado como aquilo que nos põe em contato com o chão, ou seja, com a realidade e com a terra (um dos mais significativos símbolos maternos). Assim, é a partir dele que a relação entre o príncipe e Cinderela torna-se possível.

Você já havia pensado neste conto desta maneira? Já havia refletido sobre ele? Conte para nós nos comentários o que percebeu!

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