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Projeto NA DANÇA! leva artistas imigrantes para ensinar danças nas escolas

Projeto NA DANÇA! leva artistas imigrantes para ensinar danças nas escolas
O dançarino e professor angolano, Ermi Panzo, na EMEI Chácara Sonho Azul
21 de janeiro de 2019

Saiba mais sobre a experiência lendo a nossa entrevista com a idealizadora do projeto!

Já imaginou o que pode acontecer quando uma escola recebe imigrantes de diferentes lugares do mundo para ensinar um pouco sobre as danças de seu país de origem, sua história e sua cultura? Betty Gervitz, idealizadora do projeto NA DANÇA!, apostou na força dessa ideia! Há mais de 20 anos mergulhada no estudo dos movimentos coreográficos e na música das mais diferentes culturas, ela se uniu ao músico Gabriel Levy, que também possui um sólido trabalho de pesquisa sobre o tema. Juntos, foram atrás de descobrir artistas de diversas regiões do planeta que haviam chegado ao Brasil nos recentes ciclos migratórios. Por meio da aproximação com eles, desenvolveram festivais com apresentações e oficinas de dança e também uma frente de atuação em escolas públicas e particulares. O intuito era de divulgar o trabalho desses novos artistas e promover ricas trocas culturais.

A partir da nossa entrevista com Betty Gervitz, confira abaixo um pouco mais sobre a história do NA DANÇA! e dos encontros que aconteceram em diferentes escolas:

1) Como surgiu a ideia do projeto NA DANÇA!? Qual a importância desse trabalho com imigrantes e refugiados?

O NA DANÇA! é o que sempre fiz: pesquisar danças e músicas do mundo. A dança para mim nunca veio isolada, ela sempre está conectada a um lugar, a uma cultura. Ao longo de minha trajetória profissional, as viagens foram se tornando possibilidades de novas descobertas e de pesquisa. É muito diferente estudar essas manifestações culturais em seus lugares de origem, pois vai-se percebendo que tudo está interligado. A comida, a língua, a geografia, assim como a dança e a música, estão presentes no caráter e na forma de ser de cada povo, em seu gestual. Ir “beber na fonte” [por meio de viagens] é uma experiência apaixonante. Durante muitos anos me dediquei a procurar professores que alimentassem essa busca e encontrei mestres que marcaram profundamente a minha formação. Quando senti que esse tempo havia se esgotado, comecei a olhar ao meu redor e percebi que poderia seguir minha pesquisa sem sair da minha cidade, São Paulo, pois o que eu estava procurando, estava vindo na minha direção. Imigrantes chegando, gente de todos os cantos do planeta… seguramente eu encontraria pessoas qualificadas para ensinar e com conhecimento de suas raízes. Comecei a procurar, perguntar para ONGS, fui pesquisando e, agora, olhando para o time que foi surgindo, fico satisfeita em ter encontrado pessoas capacitadas, colaboradores importantes para essa nova etapa do meu trabalho. Não uso a palavra refugiado. Ela estigmatiza, e os que a recebem se sentem profundamente marcados e diminuídos. Carregar esse título, é um peso enorme. A plataforma NA DANÇA! que se dedica a encontrar esses novos professores de dança/bailarinos e músicos, tem o objetivo de dar luz a eles pelo valor de seu conhecimento e trabalho. É uma forma íntegra de oferecer aos novos moradores da nossa cidade uma entrada digna na nossa sociedade.

2) Como surgiu a ideia de levar o projeto para dentro das escolas?

Sou formada em Educação Física e Fisioterapia e desde sempre fui professora. No começo da minha vida profissional trabalhei em escolas. Era um conflito para mim, pois, naquela época, a Educação Física significava uma bola e uma quadra e, apesar de gostar de esporte, aquilo me caia muito mal. Eu já estava conectada com o mundo da dança e trazia em mim elementos que cada vez mais me distanciavam daquilo. Queria levar para as aulas um outro tipo de conteúdo [como a dança], mas havia muita resistência da escola e dos alunos, era uma batalha. O corpo, e todas as suas possibilidades, não cabiam na aula de Educação Física que eu tinha que dar. Tentei, tentei, até que desisti. Anos mais tarde, comecei a observar que as escolas estavam se abrindo para outras possibilidades, e fiquei atenta. Comecei a pensar que eu deveria dar um destino para toda a minha pesquisa: centenas de danças que eu não queria deixar morrer dentro de uma gaveta! Eu queria doar o meu trabalho. Pensei em escrever um livro que pudesse ajudar os professores (não só de Educação Física) a introduzir a dança como uma ferramenta com potencial para desenvolver muitas habilidades, capacidades e integração de grupo, trabalhando o afetivo, o respeito e a individualidade, na sala de aula. Comecei a escrever, mas ainda faltava alguma coisa… eu não sabia exatamente o que! Faltava uma peça. Um dia, pensando nesses jovens professores, percebi que eles seriam a forma mais viva de colocar a dança na escola. E estava correto o meu insight. A troca que existe é imensurável e emocionante.

3) Como os alunos recebem as aulas? E os educadores?

Esse ano o NA DANÇA! na escola, funcionou como um projeto piloto. A plataforma recebeu uma doação para colocar em marcha o NA DANÇA! Festival de Músicas e Danças do Mundo. Decidi investir uma parte no projeto da escola, para poder pagar a ida dos professores e músicos a escolas públicas. Agora, estou buscando possíveis parceiros que possam investir para formalizar o funcionamento e poder chegar a um maior número de escolas.
Inicialmente foi bem difícil conseguir espaço nas escolas. Tanto nas públicas, como nas particulares, o contato foi feito com ajuda de pessoas que foram preciosas na abertura de portas. Num segundo momento, eu apresentava o projeto e o encantamento acontecia em fração de segundos. Me sentia uma vendedora de sonhos!
Cada escola optava pela cultura que, naquele momento, tinha mais relação com o conteúdo que estavam desenvolvendo. Em algumas teve conversa com alunos sobre imigração, experiências de vida que envolviam guerra, racismo, distância da família… também foram feitas formações para professores, aulas de dança e apresentações. Eu, além de coordenar o projeto em toda a sua minúcia, organizar, discutir o que seria ensinado, etc., faço parte da equipe, muitas vezes acompanho e também boto a mão na massa. A resposta é maravilhosa! Não tem outra palavra que defina esse contato. As crianças se encantam com o sotaque ou até mesmo aprendem a ler os gestos do professor quando ele fala uma língua completamente diferente… observam o estilo, a roupa, se identificam muitas vezes com suas histórias, principalmente as crianças que vivem nas periferias. Os professores da escola criam pontes com outros conteúdos, integram conhecimentos, alinhavam temas… outras atividades nascem daquela vivência. Ao final, professores, alunos e escola incorporam positivamente a nova experiência. No site http://www.nadanca.art.br, há pequenos depoimentos dados pelas escolas que receberam o projeto.

Betty Gervitz respondeu mais algumas das nossas questões sobre o projeto NA DANÇA!. Quer continuar lendo? Clique aqui!

Gostou da proposta do NA DANÇA!? Envie para nós seus comentários e não deixe de conferir o Facebook e o Instagram do projeto!

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