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Toda Criança Pode Aprender

13 de agosto de 2013

No dia 1o de julho de 2011, quando iniciamos a discussão do Toda Criança Pode Aprender, um artigo escrito por Beatriz Cardoso e Cristina Pereira foi publicado por Jorge Bastos Moreno, no O Globo.

Toda criança pode aprender

Beatriz Cardoso e Cristina Pereira

Todos os anos nascem, em média, no Brasil três milhões de crianças — segundo o Datasus — capazes de aprender e de transformar a nação. Se fizermos um esforço coletivo para olhar esta força nova que ingressa em nossa sociedade ano a ano e se criarmos condições para o presente e futuro desta geração, teremos reais possibilidades de mudança. 
Muito se fala hoje sobre a importância da educação. De fato, lentamente estamos avançando no valor atribuído a este campo, mas ainda de forma retórica e imediatista. É preciso pensar nas questões macro, nos resultados e nas políticas, mas também criar caminhos sólidos para que pequenos gestos cotidianos que ocorrem na relação com cada criança tenham visibilidade e importância. 
Se todo adulto que mantém contato com crianças — para quem aprender é quase tão vital quanto respirar — acreditar que elas são capazes de aprender e que aprendem o tempo todo (coisas boas e ruins), haverá disponibilidade para ouvir, acolher, exigir, desafiar e alimentar física e intelectualmente as crianças brasileiras. 
O nível de desenvolvimento educacional e cultural que um país atinge é consequência de uma ação coletiva, que envolve diferentes instâncias e instituições. Não é mágica e não é definido por um governo. É resultado da somatória de investimentos. 
No Brasil, depositamos quase toda a responsabilidade na escola e nos sistemas educacionais. Eles têm, de fato, papel relevante e determinante. No entanto, podemos começar a despertar a força complementar que está adormecida e que pode intervir e qualificar a médio e longo prazos a qualidade da aprendizagem e o vínculo com o conhecimento, base sólida para aprendizagens futuras. 
Todos os países que deram saltos qualitativos neste campo e que impactaram a economia a partir — ou com apoio — da educação reconheceram o valor social do conhecimento e a importância de processos de aprendizagem no dia a dia. Um bem simbólico distribuído igualitariamente em toda a sociedade, a partir da crença no potencial de suas crianças. Este simples movimento tem um poder transformador maior do que imaginamos. 
Uma base cultural se cria com o engajamento de todos os atores sociais. As famílias têm lugar privilegiado para ajudar a transformar o cenário se, desde o nascimento do bebê, forem capazes de acreditar na sua capacidade, sem colocar restrições de ordem racial, de gênero, física ou intelectual. Assim, vamos construir um país intelectualmente poderoso, ambientalmente sustentável e fisicamente saudável. Basta dizer “sim” à afirmação de que toda criança pode aprender.

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