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Equidade de oportunidades em um país de dimensões continentais

28 de maio de 2019..

Em pouco tempo, a conjuntura cultural, política e econômica em nosso país deu uma guinada. Temos mais perguntas do que respostas, mas uma coisa é certa: o investimento em educação se faz cada vez mais necessário.

Vivemos um momento de expectativa. Nas últimas décadas foram consolidados  avanços no campo educacional que, embora insuficientes para reverter o quadro de desigualdade no acesso a oportunidades para crianças e jovens, nos colocaram na direção certa. E justamente por isso o cenário atual exige uma postura atenta para preservar as conquistas e sermos capazes de avançar.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por exemplo, representa uma tentativa de garantir equidade frente à diversidade de contextos enfrentados pelas redes de ensino em um país de dimensões continentais como o Brasil. Ao oferecer uma referência consensuada para pautar as políticas educacionais e nortear a prática pedagógica, todas as crianças passam a ter direito e acesso a experiências, conteúdos e habilidades esperados para sua faixa etária. Efetivamente, um marco importante para situar o processo de aprendizagem como sentido de toda ação no campo da Educação.

Assim como a BNCC foi resultado do trabalho de muitos agentes, também é possível constatar que nos últimos anos houve um aumento significativo na preocupação de diversos setores da sociedade com a Primeira Infância. O senso de co-responsabilização necessário para dar conta das demandas desta fase do desenvolvimento já tem se materializado em planos e ações concretas de gestores públicos da saúde, educação, assistência social, entre outros. Sabemos que a construção de soluções efetivas e duradouras não é fácil. Mas o fato de a Primeira Infância começar a ganhar destaque nas plataformas de governo já sinaliza um grande potencial.

No entanto, também sabemos que se toda e qualquer iniciativa não estiver ancorada em uma perspectiva sistêmica está fadada ao naufrágio. Em toda conquista há um risco embutido: dar destaque e visibilidade aos problemas, mas acabar por alimentar ações fragmentadas e isoladas. O desafio é ir além da mobilização e sensibilização para fazer frente aos gargalos identificados com ferramentas embasadas em conhecimento. Não basta incorporar mudanças no discurso sem que isto se traduza em mudanças concretas na prática.

Essa é a contribuição que o Laboratório de Educação se propõe a fazer. Desde nosso lugar bastante único no terceiro setor, buscamos desenvolver conhecimento aplicável, sistematizado em metodologias para embasar ações educativas dentro e fora da escola. Nossos projetos respondem diretamente às necessidades públicas e buscam consolidar no nível micro as conquistas do plano macro.

Por isso, ao longo dos últimos 5 anos temos aprimorado nossas metodologias, que foram pensadas para criar um campo favorável à aprendizagem de crianças de 0 a 10 anos de idade. E em 2018 atingimos novos patamares por meio de diversas ações:

  • O lançamento do projeto Cidade Parque de Diversões, um conjunto de roteiros temáticos para que pais, avós, tios/as, entre outros, explorem a cidade junto com as crianças, transformando São Paulo em um grande território de aprendizagem. O projeto logo mais ganhará uma nova identidade, passando a se chamar “São Paulo das Crianças”, pois a Prefeitura de São Paulo está criando as condições para incorporá-lo como parte do novo Plano Municipal da Primeira Infância.
  • O aprimoramento do sistema de monitoramento do projeto Aprender Linguagem – Formação de Educadores, que em 2018 foi implementado nas redes públicas municipais de Educação Infantil de três cidades paulistas. Por meio do acompanhamento estruturado do processo formativo, temos conseguido mapear os avanços e desafios dos educadores na ponta, retroalimentando nosso trabalho.
  • A conclusão da primeira etapa de validação do projeto Toda Criança Pode Aprender – Formação de Mediadores de Aprendizagem, que consistiu na realização de ciclos de visitas mensais junto a 10 famílias para compreender as demandas e possibilidades da produção e divulgação de conteúdos sobre a educação de crianças pequenas.

Esses e outros grandes marcos alcançados em 2018 estão descritos em detalhes no nosso relatório de atividades de 2018.

No último ano, consolidamos e expandimos o nosso investimento na produção de um repertório de conhecimento técnico consistente e relevante que possa contribuir para que a educação seja, de fato, uma via para a redução da desigualdade. Para isso, uma das nossas prioridades continua sendo a construção de mecanismos de sustentabilidade econômica, já que somente dessa forma asseguramos as condições para realizar a nossa missão. Por fim, estamos amadurecendo a criação de diversas estratégias para atingir escala, replicando e disponibilizando nosso conhecimento para outras entidades que atuam em prol da melhoria da educação no Brasil.

Agradecemos a todos que participam ou queiram participar desta jornada como colaboradores ou apoiadores envolvidos com a nossa causa: Toda Criança Pode Aprender.

Beatriz Cardoso, fundadora e presidente

Andrea Guida Bisognin, fundadora e diretora executiva

Nicole Paulet Piedra, diretora de conteúdo

Acesse o relatório completo: Relatório de Atividades 2018

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