Professora ensina algoritmos por meio da poesia | Labedu

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Professora ensina algoritmos por meio da poesia

Professora ensina algoritmos por meio da poesia
Imagem retirada de Pixabay

Descubra mais sobre essa curiosa metodologia!

Soraya Roberta dos Santos, de 22 anos, é estudante de Sistemas da Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Engana-se, porém, quem pensa que ela só entende de números… Foi por meio da poesia que ela veio a se apaixonar pelos códigos. Com uma infância humilde, a jovem teve seu primeiro contato com o computador aos 12 anos de idade e somente aos 16 que ela de fato pôde se matricular num curso de informática.

Notando a forte presença masculina nesse meio e por vezes se sentindo subestimada por seus colegas de classe e professores, Soraya entendeu que poderia mostrar a eles que as mulheres também sabem programar, pensar de maneira lógica e dominar a tecnologia. Como uma forma de comunicar o seus desconforto e desejo por mudança nessas áreas, ela passou a escrever suas ideias utilizando uma linguagem que casasse o gênero literário com as cifras técnicas da programação.

Hoje em dia, além de estudar e dar aulas nas escolas públicas de Caicó (RN), sua cidade natal, explicando conceitos sobre algoritmos e linguagens de programação às crianças, Soraya criou um projeto chamado Poesia Compilada, uma ferramenta que aproxima esses dois mundos que tanto lhe encantam e que permitiram sua libertação de antigos padrões. Em entrevista ao Huffpost Brasil, ela diz que acredita que “os bytes são o novo sinônimo de sociedade. A poesia está no silêncio caótico dos bytes. O algoritmo é a nova forma de comunicação entre as pessoas. E a Poesia Compilada é apenas a expressão de como as pessoas veem-leem-escrevem o mundo”.

Para driblar a precária infraestrutura dos colégios em que leciona, Soraya adaptou suas aulas para o quadro negro, já que os computadores não faziam parte dos materiais disponíveis para os alunos em boa parte da região. Ela ensinou os códigos e criou dinâmicas onde os estudantes pudessem aplicar de maneira lúdica o conhecimento adquirido. Para isso, utilizaram a linguagem Python e a produção de poesias, trazendo para perto tudo o que foi aprendido na teoria. A professora completa: “O meu objetivo com isso é poder simplificar e orientá-los sobre os conceitos que usamos. No fundo, todos nós sabemos o que são algoritmos. Todos nós realizamos algoritmos diários. Mas na maioria das vezes o processo ficou tão mecânico que a gente não consegue nomear o que seriam essas ações. Então, o que a gente faz é dar para as crianças o apoio que elas precisam para descobrir, por meio do que elas já conhecem, que todos aqueles conhecimentos vão levar a produção de um algoritmo”. Ainda segundo Soraya, “é só relacionar os conceitos. O algoritmo tem uma linha do código, tem o bloco do código, tem estruturas de repetições. O algoritmo é feito com base em uma entrada, o processamento e uma saída. O algoritmo tem um propósito. Eu usava a analogia dos poemas para explicar os algoritmos.”

Imagem retirada de: www.huffpostbrasil.com (produção de crianças)

Na base desse pensamento está a ideia de que aprender a programar nos previne de sermos, nós mesmos, programados. Isso dá condições para que entendamos as diversas linguagens entre números, siglas e palavras com os quais nos relacionamos diariamente, permitindo que haja melhor comunicação entre as pessoas e a tecnologia. E esse é apenas um dos jeitos divertidos e inovadores de fazer isso!

E aí, gostou? Conte-nos nos comentários o que achou dessa iniciativa e traga suas próprias experiências envolvendo a linguagem digital e crianças.

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Educação e Escola Criança e Tecnologia