Qual o papel da educação infantil no combate à desigualdade de gênero? | Labedu
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Qual o papel da educação infantil no combate à desigualdade de gênero?

Imagem retirada de Pixabay.
28 de setembro de 2016

Brincadeira só de menino? E só de menina? Será que essa divisão existe? Como lidar com isso na educação infantil? Veja o que a pedagoga e pesquisadora Daniela Finco tem a dizer sobre esse assunto!

Uma das formas de a criança aprender e se relacionar com o mundo é por meio de brincadeiras. É muito importante que os pequenos tenham liberdade para criar, experimentar, inventar e explorar, descobrindo possibilidades e limites. Entretanto, muitas vezes – enquanto adultos – nos questionamos sobre a adequação das brincadeiras e sobre o momento em que devemos intervir. Uma das situações que provoca dúvidas, por exemplo, é quando vemos meninos em brincadeiras consideradas “de menina” e vice-versa. Será que isso é um problema?

A pedagoga e pesquisadora Daniela Finco em seu artigo “Relações de gênero nas brincadeiras de meninos e meninas na educação infantil” foi pesquisar como as crianças de 4 a 6 anos em uma escola municipal agiam em suas brincadeiras. Seria algo natural para os meninos brincar com carrinhos, lutar, correr e saltar? E as meninas? Teriam inclinação por brincar de casinha, de cozinha ou de bonecas?

O que Daniela percebeu na escola em que desenvolveu sua pesquisa foi que nem as brincadeiras eram pré-determinadas por conta do gênero, tampouco as companhias escolhidas para interagir. Nessa escola – que concedia bastante liberdade aos meninos e meninas para que escolhessem do que brincar – a variedade de brincadeiras era muito grande e todos se revezavam nas funções e papéis a serem desempenhados. Os espaços de brincadeira também eram ocupados de forma mais igualitária, sem concentração de meninos em uma parte e meninas em outra.

A partir dessa observação, Daniela pôde perceber que é a partir da intervenção dos adultos que o direcionamento ou inclinação para um tipo de brincadeira ou brinquedo se manifesta. Ela afirma que:

“São os adultos que esperam que as meninas sejam de um jeito e os meninos de outro. (…) O profissional de educação infantil tem papel fundamental para que essas relações possam acontecer de forma livre, sem cobranças quanto a um papel sexual pré-determinado.”

A pesquisadora ainda enfatiza em seu artigo a importância do educador infantil no combate à desigualdade de gênero, oferecendo oportunidades às crianças de escolher livremente suas brincadeiras, papéis desempenhados nelas e brinquedos de interesse. Essa simples atitude já ajuda os pequenos a compreenderem que não é por serem meninas ou meninos que necessariamente devem agir de maneira pré-determinada. Assim, podem construir sua identidade de forma mais autêntica, sem desmerecer uma forma de ser ou agir por identificá-la como masculina ou feminina. A partir do momento que refletimos sobre as oportunidades e interações que temos com as crianças, é possível perceber como nossa prática pode favorecer profundas transformações.

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