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O que aprendemos com os outros animais?

Imagem retirada de Pixabay.
2 de outubro de 2013

Au, au, au. Hi-ho, hi-ho. Miau, miau, miau. Cocoricó.

O animal é tão bacana mas também não é nenhum banana.*

 

A chuva cai convidativa e com ela inundam memórias olfativas de meu cão encharcado, algo nada gracioso como roupas uma vez lavadas e esquecidas na máquina.

Lembro-me de seu olhar cabisbaixo pela oferta do abrigo tardio em meio à chuva, ainda carregado de gotículas sobre as pálpebras, mas que logo soerguiam após um vigoroso chacoalhar daquele corpanzil peludo. Aliás, se não há como prever quando os cães resolvem se secar, não há como prever a tragédia em forma de dilúvio canino; agora não só compartilhávamos o mesmo cheiro, mas também a mesma alegria pela diversão por vir, uma vez que nenhum de nós seria convidado para tomar chocolate quente na sala de estar.

A criança que percebe o animal como algo que transcende a relação dono-criatura constrói um relacionamento envolto pela amizade, respeito e confiança. Com isso, ela desenvolverá o senso de responsabilidade sobre os cuidados que o animal reserva, no que diz respeito à sua alimentação, saúde e ao bem-estar. O estímulo à relação baseada nestas características tende a se refletir nas interações sociais com seus pares, uma vez que a criança possa naturalmente incorporar este comportamento respeitoso no trato com outras pessoas ao seu redor.

Um animal, dito de estimação, não deve ser tratado como um simples brinquedo, o qual é prescindido logo que a criança o rejeita. É importante que ela o compreenda como ser vivo, digno de carinho e composto por necessidades que dependem dela para serem atendidas. Boas amizades têm como alicerce o cuidado mútuo e devem ser continuamente cativadas, assim como a raposa explica em “O Pequeno Príncipe” (obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry), para o personagem homônimo:

Tu és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.

E tu não tens necessidade de mim.

Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei pra ti a única no mundo. (…)

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Colaboração: Cylon Liaw

 

* Trecho da música “Bicharia”, Saltimbancos de Chico Buarque de Holanda

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