Casos e Referências

O que se pode aprender com diferentes brincadeiras?

O que se pode aprender com diferentes brincadeiras?
14 de agosto de 2015..

Você sabia que as brincadeiras das crianças são importantes momentos de experimentação e reflexão sobre o mundo? Já parou para pensar na simbologia de algumas delas? A educadora Renata Meirelles já! Saiba mais aqui.

A educadora e pesquisadora Renata Meirelles é uma importante referência quando o assunto é o mundo lúdico infantil. Ela realizou inúmeras observações e registros de brincadeiras pelo Brasil em projetos como  BIRA – Brincadeiras Infantis da Região Amazônica (que rendeu o livro “Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil”) e Território do Brincar. Em uma aula oferecida no Instituto Singularidades a autora expôs seu ponto de vista a respeito do que cada brincadeira pode representar simbolicamente para a criança e apresentaremos neste post algumas de suas observações.

A importância de brincar no chão

Retirado de Roda da Infância

Renata aponta que o mundo da criança começa no chão. É de lá que partem seus movimentos e é este o espaço com o qual ela tem mais proximidade no início da vida.

O chão é o lugar onde se fixam as raízes, de onde tudo parte para vingar. Explorar a terra, cavar buracos, plantar e ver crescer são ações de compreensão sobre a estrutura do mundo. Como as coisas nascem? Onde é o centro das coisas? O que há embaixo da superfície?

Quando se brinca no chão é preciso estar agachado ou de cócoras, ou seja, dobrado sobre si mesmo. Esse debruçar-se sobre o próprio ser é um momento íntimo e concentrado, no qual a criança mergulha para dentro e “escava” para chegar ao mundo interno. É essa atitude cuidadosa de elaboração das experiências que permitirá construir laços íntimos com o mundo.

Brincadeira de casinha

Retirado de Casinhas e Guisadinhos no Vale do Jequitinhonha, documentário de Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo (2014).

Para a pesquisadora, brincar de casinha é ser capaz de organizar um espaço. Essa arrumação possui certo procedimento, segundo observou. Primeiro se limpa o terreno e se define o território que será utilizado. Depois, são elevadas as paredes, que marcarão os limites do espaço de intimidade. Em seguida, são escolhidos os objetos que estarão dentro da casa e estes serão dispostos de forma específica.

Se pensarmos na construção da casinha como a construção de si mesmo, veremos que os processos são bastante similares. Cada um delimitará seu espaço interior, definindo seus limites com o mundo. Desta forma, esta parte de dentro estará protegida, mas poderá ter aberturas que permitam trocas com o lado de fora. Há a possibilidade de ver e ser visto ou de se esconder. Os conteúdos internos presentes não serão aleatórios e deverão ser organizados de acordo com seu significado e função.

A brincadeira de casinha pode transformar-se em uma brincadeira de construção de uma fortaleza ou abrigo. Nesse caso, a maior preocupação será proteger o interior, ou seja, aprender a defender o próprio território.

Brincando de cozinhar

Retirado do livro Cozinhando no Quintal, de Renata Meirelles (Editora Terceiro Nome, 2014).

A cozinha, de acordo com Renata, é um espaço social. Nela acontecem conversas, trocas, vivências de sabores, cores e cheiros. Além disso, aquilo que é preparado frequentemente é feito para ser partilhado com o outro. Não importa se a comida é feita com ingredientes comestíveis ou se com terra, areia, massinha, plantas. O importante é o processo vivido.

Cozinhar é uma experiência que permite transformar os ingredientes, combiná-los, separá-los, ver como interagem. Pode-se ainda perceber esteticamente a disposição das comidas, imaginar como são feitas as receitas, descobrir os tempos de cada etapa do fazer… Essa vivência da temporalidade, das transformações e das interações entre elementos são processos presentes também nas relações humanas.

Essa conversa toda fez você pensar sobre novos aspectos presentes nas brincadeiras das crianças? Será que você conhece ou já pesquisou sobre  simbologias presentes em outras atividades lúdicas? Mande para nós! Estamos curiosos para conhecer outras possibilidades!

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