Não planejar as férias também pode ser muito bom: sobre o valor do ócio na infância | Labedu
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Não planejar as férias também pode ser muito bom: sobre o valor do ócio na infância

Imagem retirada de Pixabay.
14 de dezembro de 2016

As férias escolares já se iniciam ou se aproximam e que tal pensarmos na possibilidade de não as planejarmos integralmente e refletirmos um pouco sobre o valor do ócio na infância?

Existe uma tendência forte hoje em dia de procurar ocupar o tempo das crianças a todo e qualquer instante, seja com aulas, oficinas, atividades, esportes, danças, línguas ou até com monitores de recreação. Propor diferentes formas de interação com o mundo é muito valioso para que os pequenos conheçam o que ele oferece, mas o que vemos muitas vezes é uma sobrecarga de ocupações, não restando brechas para que ela possa se deparar com o vazio. Talvez essa tenha sido uma resposta especialmente à rotina de pais e cuidadores que trabalham o dia todo ou que ficam fora de casa, adaptando a vida de meninos e meninas de forma a atender essas demandas e desejos adultos, que também querem evitar sofrimentos, ansiedades e tempos ociosos.

Permitir que a criança decida o que fazer com o seu tempo livre e inventar a partir do que não está dado é abrir um espaço para a criatividade, para a escolha e a elaboração, favorecendo que ela se centre e saia de um encadeamento de atividades para se encontrar consigo mesma, com o que viveu na escola, na rua, observando as pessoas, dando significado às suas experiências e organizando o que sentiu e pensou ao longo do dia. Ela poderá buscar se entreter com brincadeiras, jogos, passatempos que satisfaçam suas necessidades momentâneas, ou simplesmente colocar-se num estado contemplativo, podendo ficar a olhar para o teto, se assim quiser, ficar parada ou até imaginando realidades diversas.

Brincar livremente é deixar que a criança se expresse em plenitude, com todos os talentos e potencialidades que o ser humano dispõe. Batucar na mesa, ler um livro ou se admirar com suas figuras, fazer cabanas, andar de skate e treinar manobras, fazer apresentações de teatro para a família assistir, enfim… Tudo isso serve para que os pequenos experimentem o brincar de diversas formas, desvendando mistérios da vida e aprendendo muito por meio do lúdico. Incentivar que a criança se envolva em algo que ela mesma escolheu pode capacitá-la a descobrir e buscar seus gostos e interesses, o que é muito atraente e lhe confere certo grau de responsabilidade ao mesmo tempo.

Aproveite a chegada das férias, quando a agenda fica mais flexível, e experimente perguntar à criança o que ela gostaria de fazer, oportunizando que ela conduza partes do seu dia por conta própria, deixando-se levar pela vontade genuína de se lançar em algo (desde que não a coloque em perigo e esteja dentro de suas possibilidades). Você inclusive pode ser chamado para entrar numa dessas aventuras e se surpreender com o que pode brotar desse encontro.

Fica, então, essa nossa dica para as tantas possibilidades que as férias oferecem!

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