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Cocô não é tabu: que tal refletir um pouco sobre isso?

Cocô não é tabu: que tal refletir um pouco sobre isso?
Imagem retirada de Catraquinha.
Em parceria com Catraquinhaicone-link-externo

O Catraquinha é fruto de uma parceria entre o Instituto Alana e o Catraca Livre. O site reúne informações interessantes para pais, educadores e familiares – de agenda cultural a projetos transformadores para a infância – com o intuito de empoderá-los para que interfiram positivamente no desenvolvimento das crianças, deixando-as exercer em sua plena potência a criatividade e a autonomia.

1 de dezembro de 2016..

O período de desfralde da criança não precisa ser vivido de forma sofrida, tampouco o tema “cocô” precisa ser tratado como um problema ou tabu. Vamos pensar mais sobre isso com esse texto do nosso parceiro Catraquinha.

 

Penicos que falam, cantam e até parabenizam a criança; redutores de assento, papel higiênico colorido, vasos sanitários de personagens infantis, músicas temáticas. Existe todo um mercado estruturado para ajudar as pessoas a lidar com ele desde cedo. Sim, estamos falando do cocô!
Como a Psicologia, Freud, a literatura infantil e até mesmo o Cocoricó podem ajudar nessa tarefa de diminuir o tabu em torno desse tema tão comum ao ser humano?

De onde vem o tabu?

“Uma das poucas lembranças longas que tenho da infância é de um dia, no prezinho. Eu queria ir ao banheiro, mas quando entrei, tinha um monte de meninas mais velhas, da 1ª série. Elas ficaram rindo de mim, dizendo “ai, um bebê entrou, ela não vai saber limpar o bumbum”. Fiquei com vergonha e tentei segurar o cocô, mas não consegui, e tentei me esconder numa moitinha pra ninguém notar que tinha feito cocô nas calças. Mas uma moça me achou e me entregou pra professora, e eu acabei ficando com fama de ‘bebê’ justamente por estar fugindo de ser bebê.”

O depoimento acima, memória de infância da jornalista Fernanda Beirão, provavelmente causa identificação direta em muita gente. Afinal, quem não tem uma história constrangedora sobre cocô? A questão é: por que ainda temos tanto pudor de falar sobre o assunto abertamente?

Como a infância é o começo de tudo, é possível compreender muitas dessas questões  voltando a esse momento do desenvolvimento.
Segundo os estudos de Freud, a criança vive, aproximadamente entre dois e quatro anos, um período chamado de “fase anal”, em que estabelece uma relação de descoberta e exploração com a função de excreção. Na teoria freudiana, o ânus representa a zona de erotização, e a utilização dele está intimamente ligada ao controle dos esfíncteres.

Quando a criança descobre que pode controlar essa parte recém-descoberta do corpo, encontra uma nova fonte de prazer, sentindo o cocô e o xixi como algo feito por ela. Na série sobre sexualidade infantil produzida pelo Toda Criança Pode Aprender, o assunto é discutido em profundidade, clique aqui para ler.

Ou seja, a capacidade de “prender” ou “liberar” o cocô é algo que dá prazer corporal à criança. Além disso, muitas crianças retêm as fezes, pois também sentem prazer na reação de atenção que recebem com a preocupação dos adultos. Quando finalmente liberam o cocô, a tranquilidade que os cuidadores responsáveis demonstram contribui para que os pequenos enxerguem as fezes como um ‘presente valioso’ que produziram.

“A criança tem prazer em defecar, em brincar com as fezes, não as percebe como algo nojento. Mas, à medida que vivencia o processo de socialização, deve renunciar a essa forma de prazer e a outras tantas relacionadas ao corpo, como, por exemplo, morder outras pessoas e mexer nos órgãos genitais”, explica a psicóloga Isabel Gervitz, do Laboratório de Educação, ressaltando que é possível tratar disso com maior tranquilidade à medida que os adultos compreendem que a criança não percebe o ato de defecar da mesma maneira que eles.

Para Isabel, o fato de o assunto ainda ser um tabu está ligado a um processo de construção de sentido. “Do ponto de vista cultural, encaramos as fezes como algo sujo e compreendemos a sujeira como um ‘desvalor’. Percebemos isso em vários aspectos ligados à infância como, por exemplo, a preocupação excessiva dos adultos com o fato da criança se sujar ao brincar”.

Isabel aponta ainda que o desfralde coletivo implantado em algumas creches e escolas pode acarretar em complicações, e defende a importância de respeitar o ritmo de cada criança. “Para além da criança, isso pode afetar também as famílias, que vivenciarão com mais ansiedade e preocupação o processo de desfralde, transmitindo de alguma forma essas angústias à criança. Há também que considerar os efeitos que isso pode ter sobre a relação que se dá entre família, escola e criança”, explica. Já o pediatra Dr. Carlos Eduardo Correa se posiciona contrário a qualquer processo de ‘generalização’ na infância.

“Nada coletivo deveria ser aplicado na infância. Nasce o bullying justamente quando os adultos propõe algo para o qual aquela criança não está pronta. Constipação intestinal ou fazer xixi na cama por muito tempo deixam marcas. A sensação de incapacidade por não dar conta de fazer o que outras crianças fazem, como se fosse obrigação ser capaz pior ainda”, explica o pediatra.

Para saber ler o texto na íntegra, acesse aqui.

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