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Casos e Referências

Como a alimentação impacta no desenvolvimento infantil

Como a alimentação impacta no desenvolvimento infantil
Foto por Thought Catalog retirada em Unsplash
29 de janeiro de 2020

De que maneiras a fome e a má-nutrição impactam o futuro das crianças?

A fome e a desnutrição impactam o desenvolvimento das crianças de diversas maneiras: além de serem das principais causas da mortalidade infantil, têm efeitos cognitivos, sociais e emocionais, afetando capacidades como memória e atenção.

 

O que é segurança alimentar?

No Brasil, todos os cidadãos têm direito à segurança alimentar e nutricional. Na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente está colocado que todas as crianças brasileiras têm direito, permanentemente, a uma alimentação saudável, em quantidade suficiente, com qualidade nutricional.

Em outras palavras, quer dizer que todos devem poder fazer três refeições básicas por dia, em boa quantidade e compostas por alimentos com os nutrientes e minerais necessários para uma vida saudável.

As famílias que não têm condição de oferecer para seus membros essas três refeições ao longo do dia se encontram em situação de Insegurança Alimentar. Isso pode acontecer quando não há quantidade de comida suficiente para todos ou quando a qualidade da comida é baixa, isto é, quando mesmo que “encha a barriga” a refeição tenha baixo teor nutricional. Nesses casos, dizemos que as pessoas sofrem de fome ou de desnutrição.

 

Qual o cenário de fome e desnutrição no Brasil?

Cerca de 3,6% da população brasileira está em situação de insegurança alimentar. Ou seja, há aproximadamente 7,2 milhões de pessoas sofrendo com desnutrição no país (dados do IBGE de 2013, medição mais recente sobre fome no país). O relatório da ONU “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” de 2018 aponta que menos de 2,5% dos brasileiros estariam em situação de fome, um número aparentemente baixo, mas que representa cerca de 5 milhões de pessoas.

As diferenças entre fome e desnutrição, entretanto, geram uma peculiaridade: existe uma correlação entre obesidade e insegurança alimentar. Assim como em países como México e Estados Unidos, a falta de segurança alimentar no Brasil aumenta a probabilidade de uma pessoa tornar-se obesa. Ou seja, diferente do estereótipo de que o desnutrido é magro, é possível estar acima do peso e ter carência nutricional. Isso acontece por uma combinação de motivos, como a falta de informação e conscientização sobre alimentação saudável e a discrepância de preços entre alimentos ultraprocessados de baixo teor nutricional e alimentos frescos.

 

Qual o impacto da insegurança alimentar na infância?

Desnutrição e fome são especialmente danosos para as crianças: o impacto no desenvolvimento físico e cognitivo nos primeiros dois anos de vida é geralmente irreversível.

Os riscos físicos incluem fraqueza, baixo sistema imunológico que deixa os corpos vulneráveis a contrair uma série de doenças, má formação e até cegueira. Adultos que foram desnutridos quando crianças apresentam maiores riscos de desenvolverem doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

Do ponto de vista cognitivo, os problemas são outros. Fome e desnutrição atrapalham o desenvolvimento de habilidades como atenção, memória, leitura e aprendizagem de linguagem como um todo, o que por sua vez leva ao mau rendimento escolar. Ao longo de uma vida, isso pode ter um efeito cascata: a criança que tem dificuldade de aprendizagem por conta de insegurança alimentar vai mal na escola e tem maiores chances de abandonar os estudos, assim como menores perspectivas de ter um bom salário ou de manter empregos fixos quando adultos. Impactos dessa natureza não se resumem ao desempenho acadêmico, mas também afetam capacidades de tomada de decisão e o desenvolvimento socioemocional das crianças.

Crianças que sofrem de insegurança alimentar têm seu desenvolvimento e suas perspectivas de futuro prejudicadas. A fome e a desnutrição são problemas de saúde pública que geram diversas consequências negativas e duradouras na população.

 

E o que se pode fazer?

São diversos os fatores que atrapalham a segurança alimentar: pobreza, mudança climática, infraestrutura, saneamento básico, acesso à informação, entre outros.

Para encarar o desafio, é preciso elaborar políticas públicas que atravessam diversas áreas, abrangendo desde campanhas de incentivo à alimentação saudável até a diminuição da pobreza, para que todos possam ter acesso à comida nutritiva que um humano necessita para ter um desenvolvimento sadio. No Brasil, as políticas públicas elaboradas nesse sentido são desenvolvidas sob o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan).

As crianças comem dentro e fora da escola, então a alimentação dos pequenos é, na prática, uma responsabilidade compartilhada. O esforço e a preocupação com a alimentação saudável desde pequeno compensa, e a hora da comida é também uma oportunidade de aprendizagem, tanto para os pequenos quanto para os adultos.

 

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