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Economistas chamam a atenção para a importância de investir na primeira infância

Imagem retirada de Pixabay
7 de junho de 2017

Em matéria para o Nexo Jornal, os economistas Luiz Guilherme Scorzafave e Daniel Santos falam sobre a relevância de investir na primeira infância como forma de prevenir a violência.

No Toda Criança Pode Aprender defendemos o tempo todo a importância de investir na infância, não só como forma de apostar num futuro melhor para nossa sociedade, como também para que as crianças possam usufruir desse momento de vida tão potente. Os economistas Luiz Guilherme Scorzafave e Daniel Santos, professores da USP, integrantes do Lepes (Laboratório de Estudos e Pesquisa em Economia Social) e vinculados ao NCPI (Núcleo Ciência Pela Infância) reforçaram no artigo “O berço do crime e o crime do berço”, para o Nexo Jornal o quanto esses investimentos contribuem para diminuir casos de violência e alcoolismo na idade adulta.

De acordo com os autores da matéria, o período de 0 a 6 anos é aquele mais decisivo para a estruturação do indivíduo e também o momento em que ele está mais maleável e passível de transformações. Do ponto de vista neurológico, é nessa faixa etária que alguns caminhos neuronais e sinapses se consolidam ao serem ativados com mais frequência por estímulos do ambiente, enquanto os menos utilizados se enfraquecem. Dessa maneira, conforme descrevem os especialistas ao Nexo Jornal, “crianças que vivem em permanente estado de tensão tendem a manter ativado seu sistema de alerta e desenvolvem mais lentamente outras capacidades pouco relacionadas à sobrevivência imediata. Este tipo de situação, chamado de estresse tóxico, é tido como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento infantil e seus principais fatores de risco podem estar no ambiente familiar e social da criança pequena, tais como agressão e maus-tratos ao bebê, violência doméstica, ambiente excessivamente barulhento e agitado, envolvimento de familiares com álcool e drogas, carência alimentar, entre outros.”

Da mesma forma que as influências negativas do ambiente podem causar grandes obstáculos ao desenvolvimento infantil, a potencialização de situações favoráveis pode ajudar muito a contrabalançar esse quadro. Políticas públicas que oferecem apoio às famílias e que ampliam o acesso a educação, lazer e saúde de qualidade auxiliam fortemente nesse processo. Programas que dão suporte aos responsáveis pela criança também podem ajudar muito, favorecendo que prestem atenção a diversos aspectos ligados ao desenvolvimento socioemocional e intelectual infantil e que invistam num vínculo positivo com a criança. De acordo com Luiz e Daniel, as taxas de encarceramento na idade adulta podem ser até 50% menores quando promovido o acesso aos direitos básicos na infância. Além disso, os índices de envolvimento com álcool e drogas também decaem.

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