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Casos e Referências

‘Ferrovia das Crianças’ é um museu-trem operado pelos pequenos

‘Ferrovia das Crianças’ é um museu-trem operado pelos pequenos
Foto: Divulgação/Gyermekvasut Budapest
8 de maio de 2019

Elas fazem tudo, da venda de ingressos à gestão do tráfego de uma linha ferroviária com sete paradas turísticas.

Imagine uma estrutura educativa extra-curricular que apresente as crianças ao mundo das profissões de maneira divertida, equilibrando treinamento, responsabilidades reais e atividades comunitárias de lazer. É isso o que a “Ferrovia das Crianças” proporciona em Budapeste, na Hungria.

Trata-se de uma linha de trem com sete paradas em pontos turísticos que é operada por crianças de 10 a 14 anos sob a supervisão de adultos. As crianças exercem todo o tipo de função, desde a venda de ingressos até o gerenciamento do tráfego. Construída após a 2ª Guerra Mundial, trata-se de apenas um dos muitos projetos semelhantes implementados na época pela União Soviética, vários dos quais ainda existem.

Como funciona?

Antes de poder trabalhar na ferrovia, as crianças passam por um processo rigoroso de treinamento. Para se inscrever para o programa, precisam ter um bom desempenho nos estudos escolares, um atestado de saúde e autorização dos pais, bem como do diretor da escola. Depois disso, começam um curso que dura quatro meses, com aulas uma vez por semana, sexta-feira à tarde ou sábado durante o dia — de maneira a não atrapalhar as atividades escolares.

As aulas são teóricas e práticas, mas o curso também proporciona excursões pela região, cantoria e brincadeiras. A ideia é criar uma comunidade: as crianças aprendem sobre trens e diferentes funções, mas também podem fazer novos amigos e se divertir em um contexto diferente do comum. Enquanto as atividades profissionais são supervisionadas por adultos, as atividades de cunho comunitário são lideradas por jovens de ensino médio, com auxílio de educadores.

Ao fim do curso, as crianças trabalham a cada 2 semanas, sempre de tarde — também para não interferir no horário escolar. A cada dia de trabalho elas exercem uma função diferente, de modo que todas possam experimentar as diversas posições, tornando o serviço mais dinâmico. Isso inclui ser caixa, fazer os anúncios do trem em voz alta, inspecionar bilhetes, atualizar os registros de viagem e controlar os sinais da ferrovia, entre outras tarefas. As crianças apenas não dirigem o trem, função exercida sempre por um adulto profissional.

Impacto positivo

O projeto tem fim puramente educativo. Não se trata de um curso profissionalizante, tampouco de inserção precoce no mercado de trabalho. Nele, as crianças têm a possibilidade de atuar de maneira independente. Mesmo que todas as atividades sejam supervisionadas por adultos, as crianças são treinadas na teoria e na prática para poder exercer as funções com seriedade. Essa atribuição de responsabilidades – que muitas vezes vai de encontro à ideia de que as crianças não podem exercer tarefa alguma porque são apenas crianças – contribui para a confiança dos pequenos em sua própria capacidade.

Outra faceta é que, fora da escola e do ambiente familiar, precisam ativar e desenvolver outras habilidades, já que as relações com seus pares, seus supervisores e com as funções em si se dão em um contexto novo. E, finalmente, essas aprendizagens práticas muitas vezes contribuem para o desempenho escolar: vender ingressos e ter que dar troco, por exemplo, é uma lição prática de matemática. Conferir os bilhetes e receber turistas é um exercício de inglês. Operar os trilhos é física na prática, e fazer os anúncios exercita a habilidade de falar em público.

Uma das crianças, Jazmin Hayek, de 11 anos, resume: “Antes de vir trabalhar aqui, a minha matemática não era muito boa. Mas agora é muito melhor. [Trabalhar aqui] melhorou todas as minhas notas.”

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