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Filtrando as histórias: qual o limite para os conteúdos tratados nos livros infantis?

Imagem retirada de Pixabay.
3 de abril de 2017

Estar atento à essência de uma narrativa direcionada ao público infantil é necessário para que cuidemos das mensagens que chegam até os pequenos. Mas poupá-los de entrar em contato com certos conflitos e distanciá-los de uma realidade dolorosa também pode ser desvantajoso. Confira os motivos.

 

Nos dias de hoje circula uma discussão em relação ao que se deve apresentar às crianças. Guiada por um ideal do que é politicamente correto, minimiza, assim, a aproximação de um possível sofrimento gerado por narrativas que despertem o medo, tristezas, tensões… Tanto em casa quanto na escola, em livrarias e oficinas, podemos observar a forte intervenção dos adultos no que se refere à leitura de livros que exponham as crianças a trechos que tratem, por exemplo, de morte, violência ou sexualidade, distorcendo o conteúdo da história ou pulando algumas partes dela em prol de uma compreensão que não provoque algum grau de angústia.

Saber distinguir o que é apropriado para cada faixa etária, averiguando a qualidade do texto, de que forma ele é construído, como as palavras são utilizadas e o que comunicam em seu desfecho sem dúvida é de suma importância para pensarmos no que está sendo ensinado às crianças, que assimilam tudo o que está à sua volta de uma maneira muito particular. Porém, superprotegê-las por não dar conta de explicar certas coisas, achar que elas não têm idade para pensar sobre algo ou querer aliviá-las de possíveis incômodos pode acabar alienando e distanciando da realidade esses meninos e meninas. O risco que se corre nesse caso é criarmos uma geração futura de adultos despreparados, extremamente frágeis emocionalmente, que não foram estimulados a encontrar saídas para situações-limite, sem recursos para lidar com seus sentimentos, encarar o perigo, os desafios, o desamparo, o que machuca, o que aflige…

Vale lembrar que é por meio da fantasia que a criança tem a oportunidade de se distanciar do que lhe toca diretamente e viver, através de um personagem, algo que sente ou experimentou de modo semelhante, esbarrando numa via de comunicação que dialogue com o que passa dentro de si. Nossas vivências nem sempre são agradáveis e felizes o tempo todo. As frustrações nos acompanharão em muitos momentos e saber lidar com elas é o que nos faz crescer. Quando não se abre espaço para falar sobre temas “polêmicos”, de uma forma ou de outra eles permanecerão girando em torno do imaginário dos pequenos como algo que não pode ser tratado, dando margem às construções errôneas.

Os temas em si não devem ser restringidos, mas a forma como são abordados sim. Para avaliar se a história vale a pena ser lida para as crianças ou por elas, primeiramente veja se ela lhe parece interessante. Se sim, continue sua exploração. Avalie ao longo das páginas se o conteúdo presente contribui de alguma forma para o universo do pequeno leitor, se as ilustrações e diálogos despertam questões que podem ser enriquecidas posteriormente numa conversa; observe, ainda, se o livro não se pauta em estereótipos. Poder falar abertamente sobre o que despertou a curiosidade da criança a partir da leitura e entender quais são suas dúvidas e questões que surgiram a partir dela dará acesso à sua subjetividade. Do mesmo modo, dará ferramentas ao adulto para se implicar no acompanhamento dessas descobertas, esclarecendo incertezas e envolvendo a criança num movimento que a permita continuar pensando sobre outros enigmas que fazem parte da vida de todos nós.

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