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Agora é hoje ou agora é amanhã?

18 de setembro de 2013

Como uma criança constrói o conceito de tempo? Como entender o hoje, o agora, o amanhã? Veja aqui um exemplo. É surpreendente!

Rose, a mãe, conta que havia uns três meses que a pergunta era feita. Davam sempre a mesma resposta. Ela, as irmãs mais velhas e às vezes o pai; mas ainda assim ficavam com a sensação de que não era a resposta esperada.

Possivelmente porque não entendiam o teor exato da pergunta:

Agora é hoje?, perguntava Pedro com 4 anos.

Invariavelmente a resposta era:

– Sim, agora é hoje. Sempre agora é hoje!

Acostumaram a ela de tal forma que, mesmo antes de ser feita, um deles sempre se lembrava e dizia, à mesa durante o jantar:

-Sim, Pedrinho, agora é hoje, nem precisa perguntar.

Quase sempre acompanhavam a explicação com muitos risos, apesar do ar circunspecto do menino.

Desde que a historia de hoje e agora tinha aparecido, era difícil convencer o menino a ir para a cama antes da meia-noite. Uma teimosia só. Ele queria ficar na sala, de pijama, dentes escovados e nem fazia questão da televisão. Olhava atentamente o relógio, pois tudo o que queria era dormir depois da meia-noite. Perguntava as horas muitas vezes. Claro que nunca conseguia esperar o relógio dar a meia-noite, pois era ativo demais durante o dia para dominar o cansaço à noite.

Uma criança com quatro anos não podia dar sentido mais profundo à pergunta do que o sentido que davam os adultos. Certamente ele não apreendia o conceito de hoje ou de agora, mesmo sendo tão inteligente, pobrezinho, pensava sua mãe.

Entretanto, certo dia, a pergunta cessou e as brincadeiras também. Rose porém, não esqueceu o assunto.

Foi quando, numa roda de mães e avós, contavam sobre falas divertidas ou curiosas das crianças pequenas. Não resistiu e contou o caso do filho, mesmo sem ainda entender bem o motivo da pergunta obsessiva.

E não é que Pedro ouviu, paciente, o relato da mãe e explicou:

– Sabe o que é, tia, tentei muito não dormir porque eu queria estar acordado depois da meia-noite. Nunca consegui. O máximo que pude foi até as onze e meia, mas eu achava que se conseguisse me dariam outra resposta:

“Não, Pedrinho, agora é amanhã!”.

Durante muito tempo sua mãe se afligiu pensando que ter quatro anos era ainda muito jovem para descobrir que não existe amanhã.

Enviado por Rosinalda Rocha.

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