Toda Criança Pode Aprender – Por que defender uma ideia que parece tão óbvia? | Labedu
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Toda Criança Pode Aprender – Por que defender uma ideia que parece tão óbvia?

7 de novembro de 2016

Há 3 anos, o Laboratório de Educação, em compromisso com a Clinton Global Initiative, relançou essa plataforma, trazendo aos seus leitores conteúdos que visam, sobretudo, defender a ideia de que toda a criança pode aprender. Mas, por que isso é tão importante?

Afirmar que toda criança pode aprender parece não ser mesmo uma novidade, afinal, todo o ser humano nasce com amplo potencial de aprendizagem. Se isso é um fato, a defesa a essa ideia pode soar óbvia e não justificar o trabalho que realizamos por aqui.

Porém, algumas pesquisas, como as que apresentamos aqui, indicam que as crianças pequenas possuem um potencial de aprendizagem inigualável, que se reduz na vida adulta pela perda de uma grande quantidade de neurônios. A primeira infância, período que abarca dos zero aos seis anos, é um momento crucial no qual toda e qualquer aprendizagem resultará em impactos significativos no desenvolvimento, nos seus mais diferentes âmbitos: emocional, psíquico, social, motor, comunicacional, entre outros. Isso quer dizer que as crianças podem aprender literalmente de tudo e o que aprendem terá consequências mais ou menos favoráveis – e por que não dizer também desfavoráveis – em seu desenvolvimento.

E esse potencial de aprendizagem está presente em todas as crianças. No Brasil, ainda existe o preconceito de que algumas delas, por sua cor de pele, condição social, lugar de moradia ou disposição familiar, ou mesmo por serem portadoras de alguma síndrome ou deficiência não possuem a capacidade de aprender. Persiste também a ideia de que só a escola ou a família são responsáveis pela aprendizagem, e de que há uma idade específica a partir da qual as crianças começam a aprender (uma pesquisa intitulada Primeiríssima Infância, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mostrou que boa parte dos brasileiros acredita que as crianças começam a aprender a partir de 1 ano de idade). Estes “mitos” tornam, muitas vezes, o adulto um observador passivo ao invés de um mediador ativo dos aprendizados que podem ampliar o universo cognitivo e intelectual das crianças no dia a dia.

As aprendizagens que as crianças realizam acontecem pelas múltiplas interações que estabelecem com os outros, com os ambientes e com as mais distintas situações. Os adultos com os quais convivem – pais, avós, cuidadores, tios, padrinhos, educadores profissionais, entre outros – têm uma parcela de responsabilidade imensa em seus percursos de aprendizagem. Cabe a eles tornar cada vez mais qualificadas as interações das crianças com o mundo, proporcionando que elas aprendam e se desenvolvam plenamente.

O que mostramos a elas, o que proporcionamos que vivenciem, nossas atitudes, sobre o que conversamos e como o fazemos, são essas e outras tantas ações que poderão atuar de forma mais ou menos significativa no crescimento e no desenvolvimento das crianças com as quais atuamos mais diretamente.

Nossa intenção, nessa plataforma, não é ter uma atuação prescritiva: não acreditamos em fórmulas mágicas ou em um único modo de agir com as crianças. Entendemos que muitas são as formas de educar, de ensinar e igualmente de aprender. Por isso, trazemos conteúdos e os abordamos de forma a fomentar reflexões. Tomamos como base informações e situações que circulam num dado momento pelas mídias e redes sociais (como se pode ver aqui, aqui e aqui) e ainda conteúdos que consideramos valiosos para qualificar o olhar dos adultos na relação com as crianças, como aqui, aqui e aqui. Alguns desses conteúdos – pela relevância que atribuímos a eles – ocupam espaço em séries, possuem presença mensal garantida ou estão presentes em diferentes textos, como é o caso da aquisição da linguagem, do valor da leitura para as crianças, do papel do brincar e outros aspectos do desenvolvimento ao longo da infância.

Nossos textos são produzidos por uma equipe de multiprofissionais com foco em educação permitindo abordagens a partir de diferentes pontos de vista. Também contamos com parceiros que partilham dos mesmos princípios sobre o valor das aprendizagens ao longo da infância e a importância dos adultos nesse processo.

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